Aquilo que restou

O livro que você me emprestou para ler ainda estava sob a cabeceira da cama, era como um amuleto que sempre me lembrava de você. No ar ainda tem sinais do teu cheiro, que perfume! Perturbando minha mente com suas memórias, memórias que pensei que ficariam eternizadas em nossa história, mas como todo acontecimento, elas também encontraram o seu fim.

Ainda lembro como a conheci, que dia lindo, a cidade estava nublada devido as nuvens de chuva, clima frio, perfeito para ficar em casa lendo um bom livro e tomando café, o que seria melhor que o vagão do metrô lotado as 6:30 da manhã e então na próxima parada você entrou, não foi o sol que dissipou as nuvens daquele dia cinzento, eu mal sabia o que esperar de apenas mais uma pessoa vista a caminho do trabalho.  Assim que você desceu as pressas, como todo paulistano a caminho do trabalho, por descuido ou destino o seu celular caiu e o metrô seguiu sua rota. Eu ainda não havia notado até que o vagão ficasse mais vago, por sorte o encontrei próximo a porta, pensei em deixar lá e apenas ir embora, mas decidi pegar.
A noite ao chegar em casa, liguei para alguns dos seus contatos, perguntei se a conheciam pessoalmente, buscando uma forma de devolver o objeto perdido, uma amiga sua recomendou um bar onde iríamos nos encontrar, não recusei, já estava arrependido e apenas queria me livrar da responsabilidade que não me pertencia, então na hora marcada fui ao seu encontro. Deveria ter sido apenas algo casual, nada fora do normal, entregar, ser agradecido e tchau, porém a música estava boa, seu sorriso frouxo devido a vodka que bebia e me arrastou para dançar, o que foi um desastre, pois eu não sei dançar. “Você parece uma vassoura, anda se mexe, vamos nos divertir”. Já dava para saber que você não se prendia a limites para viver e é tão belo o teu espírito indomável, ainda não acredito que tive a sorte de te-lo ao meu lado, mesmo por um piscar de olhos. Nosso contato floresceu e continuamos a conversar e a sair, você sempre empolgada, com aquela energia a 220v, alegre, sorridente, mesmo com as feridas que carregava (Ainda guardo os teus segredos comigo). Se você fosse Mônica, certamente eu não seria Eduardo, não havia nada em nós que se encaixasse, nada além do nosso afeto um pelo outro.
Continuamos “construindo” nosso envolvimento, estávamos crescendo, eu nem notei e você já passava as noites no meu apartamento, roupas espalhadas, casa bagunçada, miojo e Netflix na TV da sala e aquelas “gororobas” que você fazia, nem Ana Maria Braga conseguiria, mas tinham um gostinho especial, amor e sal, os principais ingredientes de uma louca ardente. E por falar em ardente, o que dizer dos nossos membros de amor, as pessoas na cidade de Teresina só reclamam do calor porque não conhecem teu fogo, nem o inferno, nem a supernova de 1000 sóis poderiam superar a chama do meio da tuas pernas, fodia como a selvagem que é, livre de espírito, mente, corpo e fé. Não havia ninguém mais linda que você. Eu que não fumava, acendia cigarros para te esperar nas escadas até você chegar ao nosso “lar.”
Mas agora tudo se foi, tudo que sobrou foi teu livro na cabeceira e as memórias inteiras que guardo do nosso passado. Saudades dos teus afagos, saudades dos teus dias “amargos”, saudades da tua risada, da suas piadas, das vezes que esquecia a toalha e andava nua pela casa e de quando dançava sendo livre como a “liberdade” que sempre foi. Mas agora você está presa nessa lápide, que não faz jus ao quem você foi, você esqueceu de me contar que muito tempo sua vida não iria durar, então agora te carrego na memória, como o presente eterno que eu ganhei outrora.
E agora, vodka, para brindar a liberdade que você me trouxe, ao presente mais doce, ao amor mais sincero e ao teu espírito, o mais belo.

Apenas um Escritor – 14/01/18

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